A ansiedade faz parte do desenvolvimento humano e, em doses adequadas, pode até ter um papel protetor. No entanto, quando se torna excessiva, persistente ou desproporcional à situação, ela pode interferir significativamente no bem-estar, no comportamento e no desenvolvimento da criança. Diferente do que muitos imaginam, a ansiedade não é um problema exclusivo de adultos. Crianças também podem ser ansiosas — e muitas vezes sofrem em silêncio.
Na infância, a ansiedade nem sempre se manifesta de forma clara. Ao contrário dos adultos, que costumam verbalizar seus medos e preocupações, as crianças expressam seus sentimentos por meio do comportamento, do corpo e das emoções. Por isso, muitos sinais passam despercebidos ou são interpretados como “manha”, “birra” ou “falta de limites”. Compreender esses sinais e saber quando buscar ajuda profissional é essencial para proteger a saúde emocional e neurológica da criança.
O que é ansiedade infantil?
A ansiedade infantil é uma resposta emocional caracterizada por medo, apreensão ou preocupação excessiva diante de situações que a criança percebe como ameaçadoras. Em determinados momentos do desenvolvimento, alguns medos são esperados, como medo do escuro, de separação dos pais ou de estranhos. Eles costumam ser passageiros e diminuem com o tempo.
O problema surge quando a ansiedade é intensa, frequente e interfere nas atividades do dia a dia, como brincar, dormir, ir à escola ou se relacionar com outras crianças. Nesses casos, ela deixa de ser uma reação normal e passa a exigir atenção.
Por que a ansiedade pode passar despercebida?
Um dos grandes desafios da ansiedade infantil é que seus sinais nem sempre são óbvios. Muitas crianças não conseguem expressar em palavras o que estão sentindo, e os sintomas podem aparecer de forma indireta. Além disso, crianças ansiosas nem sempre são agitadas ou “nervosas”; algumas se tornam mais quietas, retraídas e obedientes, o que pode mascarar o sofrimento emocional.
Outro fator importante é que sintomas físicos e comportamentais muitas vezes são tratados isoladamente, sem que se investigue a origem emocional por trás deles.
Sinais emocionais que merecem atenção
Alguns sinais emocionais podem indicar que a criança está lidando com níveis elevados de ansiedade, mesmo que ela não verbalize isso claramente:
- Medo excessivo ou persistente de situações comuns;
- Preocupação constante com erros, desempenho escolar ou aprovação dos adultos;
- Necessidade exagerada de controle ou previsibilidade;
- Dificuldade em lidar com frustrações;
- Choro frequente ou sensibilidade emocional aumentada;
- Irritabilidade sem causa aparente.
Esses sinais costumam ser interpretados como “personalidade sensível”, mas podem indicar sofrimento emocional.
Sinais comportamentais frequentemente ignorados
Muitas vezes, a ansiedade se manifesta por meio de comportamentos que não são imediatamente associados a questões emocionais:
- Evitar ir à escola ou participar de atividades sociais;
- Recusar-se a dormir sozinho ou dificuldade para se separar dos pais;
- Isolamento social ou excesso de timidez;
- Necessidade constante de confirmação e segurança;
- Comportamentos perfeccionistas;
- Explosões de raiva ou birras frequentes.
Em alguns casos, a ansiedade aparece como oposição, irritabilidade ou dificuldade em seguir regras, confundindo pais e educadores.
Sintomas físicos: quando o corpo fala.
A ansiedade infantil frequentemente se manifesta por sintomas físicos, pois a criança nem sempre consegue expressar seus sentimentos emocionalmente. Alguns sinais comuns incluem:
- Dor de barriga frequente sem causa clínica definida;
- Dor de cabeça recorrente;
- Náuseas ou vômitos em situações específicas;
- Falta de ar ou sensação de aperto no peito;
- Tensão muscular constante;
- Cansaço excessivo.
Esses sintomas costumam aparecer antes de eventos que geram ansiedade, como ir à escola, apresentações ou separações dos pais.
Alterações no sono e na alimentação
O sono e a alimentação são áreas muito sensíveis às emoções da criança. Alterações persistentes nesses aspectos podem ser um importante sinal de alerta:
- Dificuldade para adormecer;
- Despertares noturnos frequentes;
- Pesadelos recorrentes;
- Medo intenso de dormir sozinho;
- Seletividade alimentar acentuada;
- Falta de apetite ou compulsão alimentar.
Essas mudanças impactam diretamente o desenvolvimento físico e cognitivo da criança.
Ansiedade e desempenho escolar
A ansiedade também pode afetar o rendimento escolar. Crianças ansiosas podem apresentar:
- Dificuldade de concentração;
- Medo excessivo de errar;
- Bloqueio diante de provas ou atividades avaliativas;
- Queda no desempenho sem causa aparente;
- Recusa escolar ou queixas frequentes para evitar a escola.
Em muitos casos, essas dificuldades são confundidas com desatenção ou falta de interesse.
Quando buscar ajuda profissional
Os pais devem procurar avaliação especializada quando:
- Os sinais de ansiedade são persistentes e intensos;
- A ansiedade interfere na rotina da criança;
- Há prejuízo no sono, na alimentação ou no aprendizado;
- A criança demonstra sofrimento emocional frequente;
- Os sintomas físicos não têm explicação médica;
- A família sente dificuldade em lidar com a situação.
Buscar ajuda não significa rotular a criança, mas oferecer apoio e cuidado no momento certo.
O papel do neuropediatra na ansiedade infantil
O neuropediatra tem um papel importante na avaliação da ansiedade infantil, especialmente quando os sintomas emocionais estão associados a alterações do sono, comportamento, aprendizagem ou desenvolvimento neurológico. A avaliação permite descartar outras condições, como TDAH, transtornos do sono ou dificuldades de processamento emocional.
Em muitos casos, o acompanhamento é feito em conjunto com psicólogos e outros profissionais, garantindo uma abordagem completa e individualizada.
Como os pais podem ajudar no dia a dia?
Algumas atitudes simples podem ajudar a reduzir a ansiedade infantil:
- Manter uma rotina previsível;
- Validar os sentimentos da criança;
- Evitar minimizar medos ou preocupações;
- Estimular a comunicação emocional;
- Oferecer segurança e apoio sem superproteção;
- Criar momentos de conexão e escuta.
O ambiente familiar seguro é um dos principais fatores de proteção emocional.
Saiba mais…
A ansiedade infantil pode se manifestar de formas sutis e silenciosas. Nem sempre ela aparece como medo explícito; muitas vezes, surge por meio do corpo, do comportamento ou das dificuldades do dia a dia. Por isso, o olhar atento dos pais é fundamental.
Reconhecer os sinais que passam despercebidos e buscar ajuda profissional quando necessário permite que a criança receba o suporte adequado, prevenindo impactos mais significativos no desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Cuidar da saúde mental desde a infância é um investimento essencial para uma vida mais equilibrada e saudável.
Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?
A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.
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Dra. Cláudia Pechini
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