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Adolescência e autismo/TDAH: o que esperar nesta fase?

adolescencia

A adolescência é uma das etapas mais intensas do desenvolvimento humano. Trata-se de um período marcado por transformações físicas, emocionais, sociais e cognitivas que desafiam não apenas os jovens, mas também suas famílias. A busca por autonomia, a construção da identidade, o aumento das demandas escolares e a importância crescente das relações sociais fazem parte desse processo de amadurecimento.

Quando o adolescente apresenta uma condição do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), essas mudanças podem assumir características particulares. Muitas famílias relatam que desafios que pareciam controlados na infância tornam-se mais evidentes nessa fase, enquanto outras percebem o surgimento de novas dificuldades relacionadas às exigências típicas da adolescência.

Compreender o que pode acontecer durante esse período ajuda pais, cuidadores e profissionais a oferecerem apoio adequado e a construírem expectativas mais realistas sobre essa etapa tão importante da vida.

A adolescência é uma fase de grandes mudanças cerebrais.

Embora o crescimento físico seja a mudança mais visível da adolescência, o cérebro também passa por um intenso processo de reorganização. Áreas relacionadas ao planejamento, autocontrole, tomada de decisões, flexibilidade cognitiva e regulação emocional continuam amadurecendo ao longo de toda essa fase.

Esse processo acontece em todos os adolescentes, mas pode ter impacto especial naqueles com TEA ou TDAH. Isso ocorre porque justamente algumas das habilidades que estão em desenvolvimento durante a adolescência já representam áreas de maior vulnerabilidade nessas condições.

Como consequência, situações que exigem organização, adaptação social, controle emocional e independência podem se tornar particularmente desafiadoras.

O que muda para adolescentes com TDAH?

Na infância, o TDAH costuma ser associado principalmente à hiperatividade e à dificuldade de atenção. Durante a adolescência, porém, o quadro frequentemente se transforma.

Em muitos casos, a hiperatividade motora diminui, mas surge uma sensação interna de inquietação. Ao mesmo tempo, aumentam as demandas acadêmicas, a necessidade de planejamento e a responsabilidade sobre tarefas diárias. Essas novas exigências podem tornar as dificuldades executivas mais evidentes.

O adolescente pode apresentar problemas para organizar estudos, cumprir prazos, administrar horários ou manter a constância em atividades que exigem esforço prolongado. Muitas vezes, isso gera conflitos familiares, especialmente quando os comportamentos são interpretados como falta de responsabilidade ou interesse.

Além disso, impulsividade e dificuldade em avaliar consequências podem influenciar decisões importantes nessa fase da vida.

Os desafios sociais na adolescência com autismo

Para adolescentes dentro do espectro autista, as mudanças sociais costumam representar um dos maiores desafios. As interações tornam-se mais complexas, as amizades passam a envolver regras implícitas e as relações exigem habilidades sociais cada vez mais sofisticadas.

Enquanto na infância muitas interações são estruturadas por brincadeiras e atividades supervisionadas, na adolescência surgem grupos sociais mais complexos, conversas abstratas, maior valorização do pertencimento e novas formas de comunicação.

Alguns adolescentes autistas conseguem participar dessas interações, mas sentem dificuldade em compreender nuances sociais, interpretar intenções, perceber ironias ou acompanhar dinâmicas de grupo. Outros podem demonstrar interesse em fazer amizades, mas não saber exatamente como iniciar ou manter essas relações.

Essa diferença entre desejo de conexão e dificuldade prática pode gerar sentimentos de solidão e frustração.

Saúde mental merece atenção especial

A adolescência é uma fase em que questões relacionadas à saúde mental ganham maior relevância para todos os jovens. No caso daqueles com TEA ou TDAH, esse cuidado torna-se ainda mais importante.

Ansiedade, sintomas depressivos, baixa autoestima e dificuldades emocionais podem surgir ou se intensificar durante esse período. Muitas vezes, isso acontece porque o adolescente passa a perceber com mais clareza suas diferenças em relação aos colegas ou porque enfrenta desafios repetidos em áreas importantes da vida social e acadêmica.

Em adolescentes autistas, a sobrecarga causada pela necessidade constante de adaptação social também pode contribuir para o desgaste emocional. Já nos adolescentes com TDAH, experiências frequentes de cobrança, críticas e frustrações podem impactar a autoconfiança.

Por isso, observar mudanças de humor, isolamento, queda no interesse por atividades habituais ou aumento da irritabilidade é fundamental.

O impacto das mudanças hormonais

As transformações hormonais da puberdade também podem influenciar o comportamento e a regulação emocional. Alterações de humor, maior sensibilidade emocional e necessidade crescente de independência fazem parte do desenvolvimento típico, mas podem se manifestar de forma mais intensa em alguns adolescentes com TEA ou TDAH.

Mudanças corporais, interesses afetivos e o despertar da sexualidade também podem gerar dúvidas e inseguranças. Muitas famílias sentem dificuldade em abordar esses temas, especialmente quando o adolescente apresenta desafios de comunicação ou compreensão social.

No entanto, conversar de forma aberta e adequada à idade é essencial para promover autonomia, segurança e autocuidado.

Escola, autonomia e novas responsabilidades.

A adolescência traz consigo expectativas crescentes de independência. Espera-se que o jovem consiga organizar estudos, administrar compromissos, assumir responsabilidades domésticas e tomar decisões cada vez mais complexas.

Para adolescentes com TDAH, habilidades como planejamento, gestão do tempo e organização frequentemente continuam sendo áreas de dificuldade. Já para adolescentes autistas, mudanças de rotina, demandas sociais e situações imprevistas podem representar desafios importantes.

Isso não significa que esses jovens não sejam capazes de desenvolver autonomia. Pelo contrário: muitos conseguem alcançar grande independência quando recebem orientação adequada e oportunidades graduais para exercitar essas habilidades.

O segredo está em ajustar expectativas e oferecer suporte compatível com as necessidades de cada adolescente.

O papel da família nessa fase

Durante a adolescência, muitos pais se perguntam qual é o equilíbrio ideal entre proteção e autonomia. Esse desafio é ainda mais presente quando existe um diagnóstico de TEA ou TDAH.

Embora seja natural querer evitar dificuldades e frustrações, o excesso de proteção pode limitar oportunidades de aprendizado. Ao mesmo tempo, exigir independência sem oferecer suporte pode gerar sofrimento e insegurança.

O papel da família passa a ser o de acompanhar, orientar e criar condições para que o adolescente desenvolva gradualmente suas habilidades. Isso inclui ajudar na organização da rotina, incentivar a resolução de problemas e promover espaços seguros para o diálogo.

Mais do que controlar cada passo, trata-se de caminhar ao lado do adolescente enquanto ele constrói sua própria trajetória.

A importância do acompanhamento contínuo

Algumas famílias acreditam que, após a infância, o acompanhamento neuropediátrico ou terapêutico deixa de ser necessário. No entanto, a adolescência frequentemente traz novas demandas que justificam reavaliações e ajustes nas estratégias de cuidado.

Questões relacionadas ao desempenho escolar, saúde mental, habilidades sociais, autonomia e planejamento do futuro tornam-se cada vez mais relevantes. O acompanhamento adequado ajuda a identificar dificuldades precocemente e a fortalecer recursos para enfrentá-las.

Além disso, essa fase representa uma oportunidade importante para preparar a transição para a vida adulta.

Crescer também é descobrir novas possibilidades

A adolescência pode trazer desafios significativos para jovens com autismo ou TDAH, mas também é um período de grandes conquistas. É nessa fase que muitos começam a compreender melhor suas características, identificar seus talentos, desenvolver interesses próprios e construir uma visão mais clara sobre quem são.

Cada adolescente terá uma trajetória única. Alguns precisarão de mais apoio em determinadas áreas, enquanto outros conquistarão autonomia de forma gradual e consistente. O mais importante é compreender que desenvolvimento não significa ausência de dificuldades, mas capacidade de crescer apesar delas.

Com acolhimento, orientação adequada e um olhar que valorize potencialidades tanto quanto desafios, a adolescência pode se tornar uma etapa rica em aprendizado, amadurecimento e construção de identidade. Afinal, mais do que uma fase de mudanças, ela é também um período de descobertas sobre o mundo, sobre os outros e, principalmente, sobre si mesmo.

Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?

A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes, a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.

Agende uma consulta para você ou seu pequeno e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Dra. Cláudia Pechini

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