A linguagem é uma das habilidades mais importantes no desenvolvimento infantil, fundamental para a comunicação, expressão de sentimentos, interação social e aprendizado escolar. Quando a aquisição da fala e da compreensão linguística ocorre mais lentamente do que o esperado para a idade, falamos em linguagem atrasada.
Atrasos na linguagem podem gerar preocupação em pais e cuidadores, e muitas vezes são percebidos antes mesmo da entrada da criança na escola. Embora nem todo atraso seja indicativo de condição neurológica, em alguns casos, pode estar relacionado a alterações do desenvolvimento ou a transtornos específicos que exigem acompanhamento especializado.
O que caracteriza o atraso na linguagem?
O atraso de linguagem é definido quando a criança apresenta desenvolvimento abaixo do esperado para sua faixa etária em áreas como:
- Linguagem Expressiva: dificuldade em produzir palavras, formar frases ou se fazer entender.
- Linguagem Receptiva: dificuldade em compreender instruções, perguntas ou histórias.
- Linguagem Pragmática: dificuldade em usar a linguagem de forma funcional, social e contextual.
Alguns sinais comuns incluem:
- Poucas palavras aos 18 meses;
- Dificuldade em juntar duas palavras aos 2 anos;
- Vocabulário limitado ou dificuldade em formar frases completas aos 3 anos;
- Dificuldade para seguir instruções simples ou se comunicar em situações sociais.
É importante lembrar que cada criança tem seu ritmo, e pequenas variações podem ser normais. Porém, atrasos significativos ou persistentes merecem avaliação neurológica e fonoaudiológica.
Causas neurológicas comuns de atraso na linguagem
Diversos fatores neurológicos podem interferir no desenvolvimento da linguagem. Entre os mais frequentes estão:
1. Transtornos do desenvolvimento global
Algumas condições afetam múltiplas áreas do desenvolvimento, incluindo a linguagem:
- Transtorno do Espectro Autista (TEA): crianças podem apresentar atraso na fala, uso repetitivo de palavras ou ecolalia (repetição automática de palavras ou frases ouvidas). Além disso, podem ter dificuldade em iniciar ou manter conversas e em usar a linguagem de forma social.
- Transtorno do desenvolvimento intelectual: atrasos cognitivos podem impactar a aquisição da linguagem, afetando vocabulário, compreensão e formação de frases.
2. Transtornos de fala e linguagem específicos
- Transtorno do desenvolvimento da linguagem (TDL): caracterizado por atraso na aquisição da fala e dificuldades gramaticais, sem comprometimento intelectual ou sensorial. Crianças com TDL podem apresentar vocabulário reduzido, dificuldade em conjugar verbos e formar frases complexas.
- Distúrbios fonológicos: dificuldade em produzir sons corretamente, que pode interferir na comunicação, mesmo quando a compreensão está preservada.
3. Condições neurológicas estruturais
- Paralisia cerebral: alterações motoras podem impactar a articulação e produção da fala.
- Malformações cerebrais: alterações estruturais podem afetar regiões envolvidas na linguagem, como o córtex temporal ou frontal.
4. Deficiências sensoriais
- Perda auditiva: mesmo perda leve de audição pode prejudicar a aquisição de sons, palavras e frases, levando a atraso na fala.
- Problemas visuais associados: em alguns casos, alterações na visão podem impactar a aprendizagem de sinais visuais e linguagem gestual.
5. Condições médicas e genéticas
- Síndromes genéticas: algumas síndromes, como Síndrome de Down, Síndrome de Rett ou Síndrome do X Frágil, apresentam atraso na linguagem como sintoma comum.
- Distúrbios metabólicos ou neurológicos raros: podem interferir no funcionamento cerebral e, consequentemente, na comunicação.
Como identificar sinais de alerta de atraso na linguagem
Os pais e cuidadores podem observar sinais que indicam necessidade de avaliação especializada:
- Pouca ou nenhuma tentativa de falar aos 18 meses;
- Dificuldade em seguir comandos simples;
- Vocabulário muito limitado em relação a crianças da mesma idade;
- Dificuldade em usar a linguagem para se comunicar ou interagir socialmente;
- Perda de habilidades previamente adquiridas, como palavras ou gestos.
Esses sinais não confirmam, por si só, uma condição neurológica, mas indicam que a criança pode se beneficiar de avaliação por neuropediatra e fonoaudiólogo.
O papel da avaliação profissional
O diagnóstico precoce é essencial para identificar a causa do atraso e iniciar intervenções adequadas. A avaliação envolve:
- Neuropediatra: examina o desenvolvimento global, investiga causas neurológicas e acompanha a evolução da criança.
- Fonoaudiólogo: avalia habilidades de compreensão, expressão, articulação e uso funcional da linguagem, propondo estratégias terapêuticas personalizadas.
- Audiologista: verifica a capacidade auditiva da criança, essencial para a aquisição correta da fala.
- Equipe multidisciplinar: em casos de condições complexas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos podem atuar de forma integrada.
Abordagens de intervenção
O tratamento depende da causa do atraso e da idade da criança, mas estratégias gerais incluem:
- Estimulação precoce: atividades lúdicas e interativas que incentivem a produção de sons, palavras e frases.
- Terapia fonoaudiológica intensiva: exercícios específicos para melhorar articulação, vocabulário, compreensão e uso pragmático da linguagem.
- Ambiente comunicativo rico: ler para a criança, conversar, cantar e narrar atividades diárias favorece o aprendizado da linguagem.
- Uso de recursos visuais: pictogramas, quadros de rotina e gestos facilitam a compreensão e expressão, especialmente em crianças com TEA ou dificuldades cognitivas.
- Treinamento familiar: orientar pais e cuidadores a reforçar a linguagem no dia a dia é fundamental para o progresso da criança.
O atraso na linguagem é um sinal que merece atenção, pois pode impactar o desenvolvimento cognitivo, social e emocional da criança. Embora existam múltiplas causas neurológicas, desde transtornos do espectro autista até condições genéticas e estruturais, a identificação precoce e a intervenção multidisciplinar aumentam significativamente as chances de progresso.
Pais e cuidadores desempenham papel crucial, oferecendo um ambiente rico em estímulos, reforçando a comunicação e colaborando com a equipe profissional. Com acompanhamento adequado, estratégias personalizadas e estímulos consistentes, crianças com linguagem atrasada podem desenvolver habilidades de comunicação eficazes e alcançar seu potencial pleno.
Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?
A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.
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Dra. Cláudia Pechini
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