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Birra ou transtorno de comportamento?

birra

Todos os pais, em algum momento, já se depararam com uma cena desafiadora: a criança gritando no supermercado porque não ganhou o brinquedo que queria, chorando intensamente ao ter o tablet desligado ou se jogando no chão diante de um “não”. Essas situações são comuns na infância e, muitas vezes, fazem parte do processo natural de desenvolvimento emocional.

No entanto, em alguns casos, comportamentos explosivos, desafiadores ou agressivos podem ultrapassar o que se espera para a idade e indicar a presença de um transtorno de comportamento. Saber diferenciar o que é birra, uma reação transitória e típica do desenvolvimento infantil, do que é um sinal de alerta neurológico ou emocional é essencial para oferecer o suporte adequado e evitar rótulos equivocados.

O que é a birra e por que ela acontece?

A birra é uma resposta emocional comum e esperada em crianças pequenas, geralmente entre 1 e 4 anos de idade. Nessa fase, o cérebro ainda está amadurecendo suas conexões responsáveis pelo controle de impulsos, empatia, linguagem e regulação emocional. A criança sente intensamente, mas ainda não sabe expressar o que sente nem lidar com frustrações.

Por isso, quando algo foge do que ela deseja — como ouvir um “não”, ter que esperar ou lidar com mudanças —, seu corpo reage com choro, gritos, resistência e até agressividade. Essa é a maneira que ela encontra de comunicar sua insatisfação.

Em geral, as birras:

  • Têm início súbito e duração curta (de alguns minutos a, no máximo, meia hora);
  • Ocorrem diante de situações específicas de frustração;
  • Diminuem à medida que a criança cresce e desenvolve linguagem e autocontrole;
  • São influenciadas pelo cansaço, fome, sono e ambiente;
  • Respondem bem a intervenções educativas e emocionais adequadas.

Ou seja, a birra é uma etapa normal, que exige paciência, limites firmes e acolhimento. Mas quando esses comportamentos se tornam persistentes, intensos e desproporcionais à situação, é importante investigar se há algo além do comportamento típico infantil.

Quando o comportamento deixa de ser “birra” e vira um sinal de alerta

Crianças que apresentam reações emocionais muito intensas, frequentes e difíceis de controlar podem estar manifestando sinais de um transtorno de comportamento. Esses transtornos envolvem dificuldades na autorregulação emocional e na adaptação às regras sociais, podendo estar relacionados a fatores neurológicos, genéticos e ambientais.

Alguns sinais de alerta incluem:

  • Crises de raiva que duram muito tempo e acontecem várias vezes ao dia;
  • Agressividade física ou verbal (bater, morder, empurrar, xingar);
  • Dificuldade em aceitar regras, limites e orientações;
  • Irritabilidade persistente, mesmo sem motivo aparente;
  • Falta de empatia ou preocupação com os sentimentos dos outros;
  • Desafiar ou provocar adultos com frequência;
  • Comportamentos impulsivos que prejudicam a convivência familiar e escolar;
  • Dificuldade em se adaptar a mudanças ou lidar com frustrações pequenas;
  • Queda no desempenho escolar e conflitos constantes com colegas.

Esses comportamentos podem indicar transtornos como o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), o Transtorno de Conduta, ou até condições associadas, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e Transtornos do Humor.

É importante destacar que o diagnóstico não deve ser feito apenas com base no comportamento isolado. O neuropediatra, em conjunto com psicólogos e outros profissionais, avaliará o contexto, frequência, intensidade e impacto desses comportamentos na vida da criança.

Birra ou transtorno? Entenda as diferenças na prática.

A birra costuma surgir nos primeiros anos de vida, principalmente entre 1 e 4 anos, quando a criança ainda está aprendendo a lidar com suas emoções. É um comportamento passageiro, geralmente desencadeado por frustração momentânea — como não conseguir o que quer, ter que esperar ou ser contrariada. As crises costumam durar poucos minutos, e a criança tende a se acalmar após receber acolhimento ou distração.

Já o transtorno de comportamento costuma persistir além dos 6 anos e se manifesta de forma mais intensa e frequente. As crises podem durar muito tempo, acontecer várias vezes ao dia e não se restringir a situações de frustração. A criança parece estar constantemente irritada, desafiadora e resistente às orientações, o que acaba afetando suas relações familiares, escolares e sociais.

Enquanto a birra tende a melhorar com o tempo, à medida que a criança amadurece e recebe uma educação emocional adequada, o transtorno de comportamento não desaparece sozinho. Ele exige avaliação profissional e acompanhamento especializado, já que o impacto na rotina e nas relações é muito maior.

Em resumo, a diferença essencial está na frequência, intensidade e impacto. Se os episódios são ocasionais, curtos e ocorrem em contextos específicos, provavelmente são birras típicas. Mas se são constantes, prolongados e prejudicam a convivência e o aprendizado, é sinal de que algo mais profundo precisa ser investigado.

Por que alguns transtornos de comportamento acontecem?

Os transtornos de comportamento são multifatoriais — ou seja, resultam da interação entre fatores neurológicos, genéticos, ambientais e emocionais.

Entre as possíveis causas e contribuições, estão:

  • Alterações neurobiológicas: imaturidade nas áreas do cérebro ligadas à autorregulação e ao controle dos impulsos;
  • Fatores genéticos e hereditários: histórico familiar de TDAH, ansiedade ou transtornos do humor pode aumentar a predisposição;
  • Ambiente familiar: excesso de estresse, falta de rotina, ausência de limites claros ou exposição a conflitos podem agravar os sintomas;
  • Experiências adversas: traumas, negligência ou rejeição podem impactar a regulação emocional;
  • Transtornos associados: como TDAH, ansiedade e depressão infantil, que podem se manifestar com irritabilidade e impulsividade.

O mais importante é compreender que nenhum comportamento ocorre “por acaso”. Por trás da agressividade, da oposição ou da irritação, há uma dificuldade de lidar com emoções que a criança ainda não consegue compreender ou expressar.

Como os pais podem agir diante das crises

Independentemente de ser birra ou um transtorno, o primeiro passo é manter a calma. As crianças percebem e espelham as emoções dos adultos, gritar ou perder o controle tende a intensificar a crise.

Algumas orientações práticas:

  1. Acolha antes de corrigir – Demonstre empatia e reconheça o sentimento da criança (“Eu sei que você ficou bravo porque não pôde continuar jogando”). Isso ajuda a diminuir a tensão.
  2. Mantenha os limites com firmeza e serenidade – Dizer “não” é necessário, mas de forma calma e consistente.
  3. Evite punições severas ou humilhações – Elas não ensinam autocontrole, apenas reforçam medo e culpa.
  4. Estabeleça rotinas previsíveis – Crianças se sentem mais seguras quando sabem o que esperar.
  5. Elogie os comportamentos positivos – O reforço positivo é uma das estratégias mais eficazes de regulação.
  6. Busque ajuda profissional – Se as crises são frequentes ou muito intensas, é fundamental buscar orientação de um neuropediatra ou psicólogo infantil.

O papel do neuropediatra

O neuropediatra é o profissional capacitado para investigar se os comportamentos estão relacionados a questões neurológicas, emocionais ou ambientais. Ele realiza uma avaliação abrangente, considerando o histórico de desenvolvimento, o ambiente familiar e escolar, além de sintomas associados como impulsividade, desatenção, alterações de sono ou dificuldades de aprendizagem.

Quando necessário, o neuropediatra pode indicar acompanhamento com outros profissionais, como psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo ou psiquiatra infantil. O objetivo é compreender as causas e propor estratégias personalizadas de intervenção, sempre com foco no bem-estar da criança e da família.

Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?

A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.

Agende uma consulta para você ou seu pequeno e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Dra. Cláudia Pechini

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