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A importância do brincar para o cérebro em desenvolvimento

brincar

Brincar é muito mais do que um simples passatempo na infância. É, na verdade, uma das formas mais poderosas de estimular o cérebro em desenvolvimento, favorecendo o aprendizado, a criatividade, o raciocínio, a socialização e o equilíbrio emocional.

Do ponto de vista neurológico, o brincar é uma atividade fundamental porque envolve várias áreas do cérebro ao mesmo tempo — motoras, cognitivas, sensoriais e emocionais — e contribui diretamente para a formação de novas conexões neuronais. Durante a brincadeira, a criança experimenta, descobre, imagina e aprende a se relacionar com o mundo à sua volta.

Brincar: um “exercício” para o cérebro.

O cérebro infantil está em constante transformação. Nos primeiros anos de vida, milhões de novas conexões sinápticas são formadas a cada segundo. Essas conexões são fortalecidas pelas experiências vividas — e o brincar é uma das mais ricas delas.

Ao brincar, a criança ativa múltiplas regiões cerebrais simultaneamente:

  • O córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e tomada de decisões.
  • O hipocampo, que participa da formação de memórias.
  • O cerebelo, que regula o equilíbrio e a coordenação motora.
  • O sistema límbico, ligado às emoções e à motivação.

Ou seja, brincar é literalmente uma forma de “treinar o cérebro” para lidar com desafios, resolver problemas e desenvolver habilidades emocionais e sociais.

Os diferentes tipos de brincadeiras e seus benefícios neurológicos

Nem toda brincadeira estimula o cérebro da mesma forma. Cada tipo de atividade lúdica trabalha habilidades específicas — todas importantes para o desenvolvimento global da criança.

1. Brincadeiras de movimento

Correr, pular, escalar, andar de bicicleta e jogar bola estimulam o desenvolvimento motor e o equilíbrio, além de ativarem o sistema vestibular (responsável pela noção de espaço e orientação corporal).

Essas atividades ajudam a amadurecer áreas cerebrais envolvidas no controle motor e na autorregulação — funções fundamentais para o aprendizado escolar e a atenção.

2. Brincadeiras simbólicas ou de faz de conta

Fingir ser médico, professora, super-herói ou mãe/pai é uma das formas mais importantes de desenvolvimento da imaginação. Esse tipo de brincadeira estimula a função executiva, a linguagem, a empatia e o controle emocional.

Durante o faz de conta, a criança aprende a representar papéis, compreender regras sociais e expressar sentimentos — habilidades essenciais para a vida em grupo.

3. Brincadeiras de regras

Jogos simples, como dominó, esconde-esconde ou jogos de tabuleiro, ensinam a esperar a vez, respeitar normas e lidar com frustrações. Neurologicamente, esses jogos estimulam o córtex pré-frontal, fortalecendo o autocontrole, a paciência e a capacidade de planejamento.

4. Brincadeiras sensoriais

Atividades como brincar com areia, água, massinha ou tinta envolvem os sentidos e ajudam o cérebro a organizar informações do ambiente. Crianças com transtornos sensoriais (como em alguns casos de TEA) se beneficiam especialmente dessas experiências, que ajudam a modular a resposta a estímulos táteis, visuais e auditivos.

5. Brincadeiras sociais e cooperativas

Brincar com outras crianças é essencial para o desenvolvimento da empatia, da linguagem e da resolução de conflitos. O convívio social estimula áreas cerebrais ligadas à comunicação e ao comportamento moral.

Brincar também é aprender a lidar com emoções

O brincar é um laboratório emocional. Ao jogar, fingir, competir ou criar histórias, a criança vive diferentes emoções — alegria, frustração, medo, empolgação — e aprende, aos poucos, a reconhecê-las e controlá-las.

Essa vivência é fundamental para o desenvolvimento da inteligência emocional e da resiliência, ou seja, a capacidade de lidar com desafios e de se adaptar às situações novas. Crianças que brincam regularmente tendem a apresentar melhor equilíbrio emocional, menos ansiedade e mais autoconfiança.

O impacto da falta de brincadeira na infância

A falta de tempo para brincar livremente tem se tornado um problema crescente nas últimas décadas. O aumento do tempo de tela, a rotina escolar intensa e a redução do espaço para brincadeiras ao ar livre têm limitado uma atividade essencial para o desenvolvimento infantil.

Estudos mostram que crianças com pouco tempo de brincadeira apresentam:

  • Dificuldades de atenção e concentração;
  • Maior irritabilidade e ansiedade;
  • Menor criatividade e iniciativa;
  • Atrasos no desenvolvimento motor e social.

O cérebro precisa de experiências reais — explorar, tocar, criar, errar e recomeçar. Quando a infância é substituída por estímulos passivos (como o uso excessivo de telas), perde-se uma oportunidade valiosa de desenvolvimento cognitivo e emocional.

Como os pais podem incentivar o brincar saudável

Promover o brincar não exige brinquedos caros nem atividades complexas. O mais importante é oferecer tempo, espaço e presença. Algumas orientações práticas incluem:

1. Valorize o brincar livre

Permita que a criança brinque por iniciativa própria, sem regras pré-estabelecidas. O brincar livre estimula a criatividade e a autonomia.

2. Diminua o tempo de telas

A recomendação da Academia Americana de Pediatria é que crianças de até 2 anos não usem telas e, após essa idade, o uso seja limitado e supervisionado.

3. Brinque junto

Participar das brincadeiras fortalece o vínculo afetivo e ajuda a criança a se sentir valorizada. Brincar com os pais é uma forma de amor e segurança emocional.

4. Crie oportunidades de convívio social

Promova momentos de brincadeira com outras crianças, pois a interação em grupo é essencial para desenvolver habilidades sociais e emocionais.

5. Ofereça diferentes tipos de brinquedos e experiências

Brinquedos simples, como blocos, bolas, massinhas e livros, estimulam mais a imaginação do que os eletrônicos. Além disso, atividades ao ar livre, como parques e natureza, ampliam as experiências sensoriais e motoras.

O brincar como ferramenta terapêutica

Em contextos clínicos e terapêuticos, o brincar é amplamente utilizado como instrumento de diagnóstico e tratamento. Terapeutas ocupacionais, psicólogos e fonoaudiólogos usam o jogo e a brincadeira para avaliar e estimular funções cognitivas, motoras e emocionais.

Crianças com atrasos no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem ou transtornos do neurodesenvolvimento (como TEA, TDAH e paralisia cerebral) podem se beneficiar muito de intervenções baseadas no brincar, que respeitam o ritmo e os interesses de cada criança.

Brincar é uma necessidade biológica, emocional e neurológica. É por meio das brincadeiras que o cérebro da criança se organiza, aprende e amadurece. Cada experiência lúdica fortalece conexões neuronais, aprimora habilidades cognitivas e desenvolve competências sociais e emocionais que serão essenciais por toda a vida.

Pais e educadores devem compreender que o brincar não é perda de tempo, mas um investimento no desenvolvimento integral da criança. Criar ambientes estimulantes, reduzir o tempo de tela e participar ativamente das brincadeiras são atitudes simples que têm um impacto profundo no crescimento e na saúde mental infantil.

Em um mundo cada vez mais acelerado e digital, garantir o direito de brincar é também garantir uma infância mais saudável, equilibrada e feliz.

Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?

A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.

Agende uma consulta para você ou seu pequeno e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Dra. Cláudia Pechini

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genética
Neurologia

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