A dor de cabeça, ou cefaleia, é uma queixa comum na infância e na adolescência. Embora muitas pessoas associem esse sintoma apenas aos adultos, as crianças também podem apresentar episódios de dor de cabeça desde muito cedo. Na maioria das vezes, trata-se de algo benigno e transitório, relacionado a fatores como cansaço, estresse, desidratação ou infecções leves. No entanto, em algumas situações, a cefaleia pode ser um sinal de alerta e exigir avaliação médica especializada.
Para os pais, diferenciar uma dor de cabeça ocasional de um quadro que merece investigação nem sempre é simples. Por isso, entender os tipos mais comuns de cefaleia na infância, seus sinais de alerta e quando procurar ajuda profissional é essencial para garantir a saúde e o bem-estar da criança.
O que é cefaleia e por que ela ocorre em crianças?
Cefaleia é o termo utilizado para descrever qualquer tipo de dor na região da cabeça. Nas crianças, ela pode ter diferentes causas, desde fatores emocionais e ambientais até condições neurológicas específicas.
O cérebro em si não dói, mas as estruturas ao redor — como vasos sanguíneos, músculos, nervos e meninges — podem gerar dor quando estimuladas. Além disso, o sistema nervoso infantil ainda está em desenvolvimento, o que pode tornar a criança mais sensível a estímulos como privação de sono, excesso de telas, estresse emocional e mudanças na rotina.
Tipos mais comuns de cefaleia na infância
Existem diferentes tipos de dor de cabeça que podem afetar crianças. As mais frequentes são:
Cefaleia tensional
É o tipo mais comum na infância. Geralmente está associada ao estresse, à ansiedade, ao cansaço e à tensão muscular. A dor costuma ser leve a moderada, em pressão ou aperto, localizada nos dois lados da cabeça ou na região da testa e da nuca. Normalmente não impede a criança de realizar atividades, mas pode causar desconforto.
Enxaqueca infantil
A enxaqueca também pode ocorrer em crianças, inclusive em idade pré-escolar. A dor costuma ser mais intensa, pulsátil, podendo afetar um ou ambos os lados da cabeça. Pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e ao som, palidez e necessidade de repouso. Em alguns casos, a criança apresenta alterações visuais antes da dor, conhecidas como aura.
Cefaleia associada a outras condições
Infecções, como gripes e sinusites, problemas de visão, alterações do sono, desidratação e até jejum prolongado também podem desencadear dores de cabeça. Nesses casos, a cefaleia geralmente melhora quando a causa é tratada.
Como a cefaleia se manifesta nas crianças?
Nem sempre a criança consegue descrever a dor com clareza. Muitas vezes, os sinais aparecem de forma indireta, como:
- Irritabilidade ou choro sem motivo aparente;
- Falta de vontade de brincar;
- Pedido para deitar em ambiente escuro e silencioso;
- Queixas de dor na testa, atrás dos olhos ou na nuca;
- Náuseas ou vômitos associados à dor;
- Dificuldade de concentração.
Em crianças menores, a observação atenta dos pais é fundamental para identificar esses sinais.
Fatores que podem desencadear dor de cabeça
Diversos fatores do dia a dia podem contribuir para o surgimento da cefaleia na infância, entre eles:
- Privação ou má qualidade do sono;
- Uso excessivo de telas (celular, tablet, televisão);
- Alimentação irregular ou jejum prolongado;
- Baixa ingestão de líquidos;
- Estresse emocional ou ansiedade;
- Excesso de atividades e rotina muito sobrecarregada;
- Postura inadequada e tensão muscular.
Identificar esses fatores ajuda não apenas no tratamento, mas também na prevenção das crises.
Sinais de alerta: quando a dor de cabeça precisa de avaliação.
Embora a maioria das cefaleias na infância seja benigna, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica, especialmente com um neuropediatra. Os principais sinais de alerta incluem:
- Dor de cabeça frequente ou progressiva;
- Cefaleia intensa que acorda a criança durante a noite;
- Dor associada a vômitos persistentes, especialmente ao acordar;
- Alterações neurológicas, como fraqueza, dificuldade para falar ou andar;
- Convulsões associadas à dor de cabeça;
- Mudança no padrão da dor habitual;
- Dor de cabeça após trauma na cabeça;
- Cefaleia em crianças muito pequenas;
- Queda no desempenho escolar ou alterações comportamentais associadas.
Na presença desses sinais, a avaliação médica é essencial para descartar causas mais graves.
O papel do neuropediatra na avaliação da cefaleia infantil
O neuropediatra é o profissional indicado para investigar dores de cabeça persistentes ou atípicas na infância. A avaliação inclui uma escuta cuidadosa da história clínica, análise da frequência, intensidade e características da dor, além do exame neurológico completo.
Em alguns casos, podem ser solicitados exames complementares, como exames de imagem ou eletroencefalograma, sempre com base na história e nos achados clínicos. Nem toda cefaleia exige exames, e a decisão deve ser individualizada.
Tratamento e prevenção da cefaleia na infância
O tratamento da cefaleia infantil depende do tipo e da causa da dor. Muitas vezes, mudanças simples na rotina já trazem grande melhora, como:
- Estabelecer horários regulares de sono;
- Reduzir o tempo de telas;
- Incentivar a hidratação adequada;
- Garantir alimentação equilibrada;
- Promover momentos de lazer e descanso;
- Trabalhar estratégias de manejo do estresse e da ansiedade.
Em alguns casos, o uso de medicação pode ser necessário, sempre com orientação médica.
Importante…
A dor de cabeça na infância é comum, mas não deve ser ignorada, especialmente quando se torna frequente, intensa ou associada a outros sintomas. O olhar atento dos pais é fundamental para reconhecer padrões, identificar sinais de alerta e buscar ajuda no momento certo.
A avaliação especializada permite esclarecer a causa da cefaleia, orientar o tratamento adequado e trazer mais segurança para a criança e sua família. Cuidar da dor de cabeça é cuidar da saúde neurológica e da qualidade de vida desde a infância.
Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?
A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.
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Dra. Cláudia Pechini
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