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Como lidar com o diagnóstico neurológico do seu filho

tdah - criança em psicologo multidisciplinar

Receber um diagnóstico neurológico para o filho é um dos momentos mais marcantes e, muitas vezes, mais difíceis na jornada da parentalidade. Seja uma condição como Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, Paralisia Cerebral, Epilepsia, Transtorno de Aprendizagem, Distúrbio do Processamento Auditivo (DPAC) ou qualquer outra, a notícia costuma vir acompanhada de dúvidas, medo, tristeza e até culpa.

Essas reações são compreensíveis, afinal, nenhum pai ou mãe se prepara para lidar com a possibilidade de que algo esteja fora do esperado no desenvolvimento de seu filho. No entanto, é importante lembrar: um diagnóstico não é uma sentença, mas sim uma ferramenta poderosa para entender as necessidades da criança e abrir caminhos de cuidado, acolhimento e progresso.

1. Entender o diagnóstico é o primeiro passo para cuidar.

Após o diagnóstico, é natural que os pais se sintam perdidos. O primeiro passo é buscar compreender o que ele realmente significa. Um diagnóstico neurológico não define quem a criança é, mas ajuda a entender o modo como ela percebe o mundo, comunica-se, aprende e reage aos estímulos.

Cada quadro neurológico possui diferentes graus e manifestações. Por isso, a conversa com o neuropediatra deve ser clara, empática e aberta. É o momento de tirar dúvidas, entender o que esperar e quais são as próximas etapas — sejam exames complementares, terapias, medicações ou orientações para a escola.

Evite buscar respostas imediatas em fontes não confiáveis ou comparações com outras crianças. Cada criança é única, e o diagnóstico é apenas o ponto de partida para construir um plano de cuidado individualizado.

2. Luto, aceitação e recomeço.

Muitos pais descrevem o período pós-diagnóstico como um processo de luto, mesmo que não falem disso abertamente. É o luto pelo filho idealizado — aquele que existia no imaginário, com expectativas de um desenvolvimento típico e sem desafios adicionais.

Sentir tristeza, raiva, medo ou culpa é normal. Mas é importante não permanecer preso a essas emoções. A aceitação não é um ato instantâneo, mas uma caminhada que envolve acolher a nova realidade e redescobrir a criança como ela é, com suas potencialidades e dificuldades.

Buscar apoio psicológico pode ser extremamente benéfico para a família nesse momento. O acompanhamento ajuda a elaborar emoções, fortalecer o vínculo com a criança e desenvolver uma visão mais positiva sobre o futuro.

Aceitar não significa desistir, mas sim reconhecer a criança em sua totalidade, compreendendo que ela continua sendo quem sempre foi — apenas com novas necessidades que exigem cuidado e compreensão.

3. O poder da intervenção precoce

Uma das maiores vantagens de um diagnóstico neurológico feito precocemente é a possibilidade de iniciar intervenções o quanto antes. A infância é um período de intensa neuroplasticidade — ou seja, o cérebro tem uma capacidade extraordinária de se adaptar, criar novas conexões e aprender.

O tratamento deve ser sempre multidisciplinar e individualizado, podendo envolver diferentes profissionais, como:

  • Fonoaudiólogos, para estimular a linguagem e a comunicação;
  • Terapeutas ocupacionais, especialmente com foco em integração sensorial e autonomia;
  • Psicólogos e psicopedagogos, que auxiliam no comportamento e na aprendizagem;
  • Fisioterapeutas, quando há alterações motoras;
  • Nutricionistas, em casos de seletividade alimentar ou condições associadas;
  • Professores e escolas, que desempenham papel essencial na inclusão educacional.

Cada pequena conquista, uma nova palavra, um gesto, um olhar, um aprendizado,  é motivo de celebração. O diagnóstico não limita o potencial da criança, apenas mostra quais caminhos podem ajudá-la a se desenvolver de forma mais eficiente.

4. Comunicação aberta com o neuropediatra e a equipe.

Manter um diálogo constante com o neuropediatra é fundamental. O profissional não está ali apenas para prescrever medicamentos ou solicitar exames, mas para acompanhar o desenvolvimento global da criança, orientar a família e ajustar estratégias conforme o tempo.

Não hesite em anotar dúvidas, relatar comportamentos e compartilhar observações do dia a dia. Pequenos detalhes podem ser valiosos para compreender a evolução do quadro.

Além disso, é essencial que todos os profissionais envolvidos (escola, terapeutas, médicos) trabalhem em conjunto, trocando informações e traçando metas comuns. Essa integração garante um atendimento mais eficaz e coerente com as necessidades da criança.

5. O papel da família: acolher, estimular e celebrar.

O ambiente familiar tem enorme influência no desenvolvimento infantil. Após o diagnóstico, os pais assumem um papel ainda mais importante: o de promover estímulos, criar uma rotina estruturada e oferecer apoio emocional constante.

Algumas atitudes práticas podem ajudar:

  • Estabeleça uma rotina previsível, com horários claros e transições suaves;
  • Estimule a autonomia, permitindo que a criança participe de pequenas tarefas do dia a dia;
  • Valorize o esforço, não apenas o resultado — cada tentativa é um passo de crescimento;
  • Evite superproteção, mas também não imponha exigências além da capacidade da criança;
  • Inclua a criança nas brincadeiras e nas interações familiares, reforçando o sentimento de pertencimento.

Mais importante ainda é que a criança se sinta amada e aceita. O amor incondicional é a base para qualquer progresso.

6. Cuidado também com quem cuida.

Muitos pais dedicam tanta energia ao cuidado dos filhos que acabam se esquecendo de cuidar de si mesmos. A sobrecarga emocional e física é real, e ignorá-la pode levar ao esgotamento.

Buscar momentos de descanso, dividir responsabilidades e aceitar ajuda são atitudes fundamentais. Grupos de apoio a famílias com crianças neuroatípicas também podem ser valiosos espaços de troca e acolhimento, mostrando que você não está sozinho nessa jornada.

Lidar com o diagnóstico é um processo contínuo — com altos e baixos, momentos de conquistas e de desafios. Mas com suporte emocional e informação, o caminho se torna mais leve.

7. Superar o estigma: informação e empatia.

Ainda hoje, muitos pais enfrentam o preconceito e a falta de compreensão da sociedade em relação às condições neurológicas. Por isso, é essencial falar sobre o diagnóstico sem medo ou vergonha, ajudando a desmistificar o tema.

Crianças com TEA, TDAH, epilepsia, paralisia cerebral ou outros transtornos não são “limitadas”, “difíceis” ou “problemáticas” são apenas diferentes em seu modo de perceber e interagir com o mundo.

A informação é a principal arma contra o estigma. Quanto mais as pessoas entenderem sobre o desenvolvimento neurológico, mais empática e inclusiva se tornará a convivência.

O diagnóstico é um ponto de partida, não um ponto final.

Receber um diagnóstico neurológico para o filho muda a perspectiva de uma família, mas não muda o amor, o potencial e o valor daquela criança. Ele não é um “rótulo”, e sim uma bússola que ajuda a encontrar o melhor caminho para o desenvolvimento.

Ao longo do tempo, muitos pais descobrem que o que parecia uma limitação se transforma em um novo modo de enxergar o mundo com mais sensibilidade, paciência e empatia.

Lidar com o diagnóstico não é fácil, mas é possível. Com acompanhamento adequado, rede de apoio e, acima de tudo, acolhimento, cada criança pode crescer, aprender e se desenvolver de forma plena, no seu tempo, do seu jeito e com o suporte de que precisa.

Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?

A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.

Agende uma consulta para você ou seu pequeno e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Dra. Cláudia Pechini

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