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Criança que não dorme bem: quando investigar?

sono

O sono é uma das bases mais importantes para o desenvolvimento infantil. Durante o descanso, o cérebro processa informações adquiridas ao longo do dia, consolida aprendizados, regula emoções e participa de diversos processos essenciais para o crescimento e a saúde. Apesar disso, dificuldades relacionadas ao sono são extremamente comuns na infância e estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios pediátricos e neuropediátricos.

Muitos pais convivem com despertares noturnos frequentes, dificuldade para adormecer, sono agitado ou resistência na hora de dormir. Em parte dos casos, essas situações fazem parte de fases transitórias do desenvolvimento. Em outros, porém, podem sinalizar alterações que merecem investigação mais cuidadosa. Saber diferenciar o que é esperado para a idade do que pode indicar um problema de sono é fundamental para promover o bem-estar da criança e de toda a família.

O sono muda ao longo do desenvolvimento.

Assim como outras áreas do desenvolvimento infantil, o sono passa por transformações importantes conforme a criança cresce. Os padrões observados em um recém-nascido são muito diferentes daqueles encontrados em um bebê, uma criança em idade escolar ou um adolescente.

Nos primeiros meses de vida, despertares noturnos são comuns e fazem parte do desenvolvimento normal. Com o amadurecimento do sistema nervoso, espera-se que os períodos de sono se tornem mais longos e organizados.

Ao longo da infância, as necessidades de sono continuam variando. Algumas crianças dormem mais, outras menos, mas existe uma faixa considerada adequada para cada idade. O mais importante não é apenas a quantidade de horas dormidas, mas também a qualidade do sono e o impacto que ele tem sobre o funcionamento diário.

Quando as dificuldades para dormir são consideradas normais?

Existem momentos em que alterações no sono podem ocorrer sem representar um problema de saúde. Mudanças na rotina, início da escola, nascimento de um irmão, viagens, doenças passageiras ou períodos de maior ansiedade podem interferir temporariamente no padrão de sono.

Também é relativamente comum que crianças pequenas resistam à hora de dormir ou procurem mais a presença dos pais durante a noite em determinadas fases do desenvolvimento.

Nessas situações, as alterações costumam ser transitórias e melhoram à medida que a criança se adapta às mudanças ou supera o fator desencadeante.

No entanto, quando as dificuldades persistem por semanas ou meses, passam a interferir no funcionamento da criança ou causam impacto importante na dinâmica familiar, vale a pena buscar orientação especializada.

Sinais de que o sono merece atenção.

Nem sempre uma criança que dorme mal apresenta queixas evidentes durante a noite. Muitas vezes, os sinais aparecem durante o dia.

Irritabilidade frequente, dificuldade de concentração, alterações de comportamento, sonolência excessiva, queda no rendimento escolar ou dificuldade para regular emoções podem estar relacionados a um sono inadequado.

Algumas crianças tornam-se mais agitadas e impulsivas quando dormem mal, o que pode até ser confundido com transtornos de atenção ou hiperatividade. Outras apresentam cansaço constante, pouca disposição para brincar ou dificuldade para acompanhar as atividades da rotina.

Por isso, avaliar o impacto do sono sobre o desenvolvimento e o comportamento é tão importante quanto observar o que acontece durante a noite.

Dificuldade para adormecer pode ser um sinal importante.

Uma das queixas mais comuns é a dificuldade para iniciar o sono. Algumas crianças demoram muito tempo para adormecer, mesmo quando aparentam estar cansadas.

Esse quadro pode estar relacionado a hábitos inadequados de sono, excesso de estímulos antes de dormir, ansiedade ou alterações específicas dos ritmos biológicos. O uso excessivo de telas próximo ao horário de dormir também pode interferir na produção de melatonina e dificultar o início do sono.

Quando a dificuldade para adormecer é frequente e persistente, torna-se importante investigar os fatores envolvidos para orientar estratégias adequadas.

Despertares noturnos frequentes também merecem avaliação.

Embora despertares ocasionais façam parte da infância, acordar repetidamente durante a noite pode indicar que algo não está funcionando adequadamente.

Em alguns casos, a criança desperta e consegue voltar a dormir sozinha. Em outros, necessita da presença constante dos pais ou apresenta grande dificuldade para retomar o sono.

Despertares frequentes podem estar associados a hábitos de sono, ansiedade, refluxo, alergias respiratórias, distúrbios respiratórios do sono ou outras condições médicas que merecem investigação.

A frequência dos episódios e o impacto sobre o descanso da criança ajudam a determinar a necessidade de avaliação especializada.

Ronco nem sempre é normal

Muitas famílias se surpreendem ao descobrir que roncar regularmente não é considerado normal na infância. Embora um episódio ocasional durante um resfriado possa ocorrer, o ronco frequente merece atenção.

Em alguns casos, ele pode estar relacionado à apneia obstrutiva do sono, uma condição em que ocorrem interrupções temporárias da respiração durante o sono. Crianças com esse quadro podem apresentar sono agitado, pausas respiratórias, transpiração excessiva durante a noite e sonolência ou irritabilidade durante o dia.

A apneia do sono pode impactar comportamento, aprendizado, crescimento e qualidade de vida, tornando a avaliação médica fundamental.

O sono e o neurodesenvolvimento estão profundamente conectados

O cérebro infantil depende do sono para consolidar aprendizados, desenvolver habilidades cognitivas e regular emoções. Quando a qualidade do sono é inadequada, diferentes áreas do desenvolvimento podem ser afetadas.

Crianças que dormem mal podem apresentar maior dificuldade de atenção, memória, controle emocional e desempenho escolar. Além disso, alterações prolongadas do sono podem influenciar humor, comportamento e relações sociais.

Em crianças com condições do neurodesenvolvimento, como TDAH, autismo ou transtornos de aprendizagem, os problemas de sono são particularmente frequentes e podem intensificar dificuldades já existentes.

Como é feita a investigação dos problemas de sono?

A avaliação começa com uma análise detalhada da rotina da criança. Horários de sono, hábitos antes de dormir, despertares noturnos, comportamento durante o dia e histórico médico fornecem informações valiosas.

Em muitos casos, apenas a história clínica já permite identificar fatores que estão contribuindo para o problema. Dependendo dos sinais apresentados, exames complementares podem ser necessários para investigar distúrbios específicos do sono.

O objetivo da avaliação não é apenas identificar um diagnóstico, mas compreender de forma ampla como o sono está impactando a vida da criança e da família.

O papel da família na construção de hábitos saudáveis

A rotina tem papel fundamental na qualidade do sono infantil. Horários consistentes, ambiente adequado para dormir e redução de estímulos antes de deitar são medidas que favorecem um descanso mais reparador.

Também é importante observar o uso de telas, especialmente no período noturno, e incentivar atividades mais tranquilas próximo ao horário de dormir.

Pequenas mudanças na rotina podem produzir melhorias significativas em muitos casos, mas quando as dificuldades persistem, a orientação profissional é essencial para identificar causas subjacentes e definir estratégias mais específicas.

Dormir bem também faz parte do desenvolvimento.

Quando pensamos em desenvolvimento infantil, é comum focarmos em linguagem, aprendizagem, crescimento e comportamento. No entanto, o sono é um dos pilares que sustentam todas essas áreas.

Uma criança que não dorme bem pode apresentar sinais muito além do cansaço, e por isso é importante olhar para o sono como parte integrante da saúde. Observar padrões persistentes de dificuldade, mudanças importantes no comportamento ou sinais de sono não reparador permite identificar precocemente situações que merecem atenção.

Mais do que uma necessidade biológica, o sono é um componente essencial do desenvolvimento físico, emocional e neurológico. Quando a criança dorme bem, seu cérebro encontra as condições necessárias para aprender, crescer e explorar o mundo de forma mais saudável e equilibrada.

Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?

A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes, a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.

Agende uma consulta para você ou seu pequeno e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Dra. Cláudia Pechini

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