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Desenvolvimento atípico: como identificar e acolher sem estigmatizar

desenvolvimento atípico

Cada criança é única. Essa é uma das verdades mais fundamentais quando falamos sobre infância e desenvolvimento. No entanto, embora cada pequeno tenha seu próprio ritmo, há marcos esperados em cada fase — como sustentar a cabeça, sentar, andar, falar, brincar e se relacionar com os outros. Quando estes acontecem de forma muito diferente do esperado, é importante estar atento: pode se tratar de um desenvolvimento atípico.

O termo “atípico” não significa anormal ou errado, mas sim um desenvolvimento que se desvia do padrão comum, podendo ocorrer de maneira mais lenta, desigual ou com características específicas em determinadas áreas — motoras, cognitivas, de linguagem, emocionais ou sociais. O grande desafio é identificar essas diferenças sem rotular, acolher sem comparar e buscar ajuda de forma precoce e empática.

O que é desenvolvimento atípico?

O desenvolvimento infantil envolve uma série de aquisições que acontecem de forma gradual e interligada: o bebê aprende a se movimentar, explorar o ambiente, comunicar-se, reconhecer pessoas e compreender o mundo. Quando há um descompasso significativo entre o que se espera para a idade e o que a criança consegue fazer, fala-se em um desenvolvimento atípico.

Essa atipicidade pode se manifestar de muitas formas. Alguns exemplos incluem:

  • Atrasos motores, como demorar a sentar, engatinhar ou andar;
  • Atrasos na fala ou na comunicação não verbal, como pouca resposta a estímulos sonoros, falta de balbucio ou dificuldade em usar gestos;
  • Dificuldades sociais, como pouca interação com outras pessoas, dificuldade em compartilhar brincadeiras ou compreender expressões faciais;
  • Comportamentos repetitivos ou seletivos, como fixação por objetos ou rotinas;
  • Diferenças cognitivas, como dificuldades em compreender instruções, manter atenção ou resolver problemas simples;
  • Alterações no processamento sensorial, com hipersensibilidade a sons, luzes, texturas ou cheiros.

Essas manifestações podem estar associadas a diferentes condições neurológicas e do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), Transtorno da Coordenação Motora (TDC), Deficiência Intelectual, entre outros.

Identificar precocemente faz diferença

Muitos pais, diante de uma diferença no desenvolvimento, tendem a ouvir frases como: “Cada criança tem seu tempo” ou “Um dia ele vai falar”. Embora seja verdade que o ritmo individual de cada criança deve ser respeitado, esperar demais pode atrasar o diagnóstico e o início de intervenções fundamentais.

A identificação precoce é o primeiro passo para garantir o melhor prognóstico possível. Quando o acompanhamento profissional é iniciado ainda na primeira infância — período em que o cérebro é altamente plástico — as intervenções têm maior eficácia, favorecendo a aprendizagem, a autonomia e o bem-estar.

Alguns sinais de alerta que merecem atenção incluem:

  • Ausência de sorriso social até os 3 meses;
  • Pouca reação a sons ou estímulos visuais;
  • Não sustentar a cabeça ou não sentar próximo da idade esperada;
  • Falta de interesse em interagir com outras crianças;
  • Atraso na fala ou uso restrito de palavras;
  • Falta de contato visual ou de resposta ao próprio nome;
  • Dificuldade para compreender comandos simples;
  • Movimentos corporais repetitivos ou estereotipados;
  • Irritação intensa diante de mudanças na rotina ou estímulos sensoriais.

Vale lembrar que um único sinal isolado não define um diagnóstico. O importante é observar o conjunto de comportamentos e buscar uma avaliação especializada com o neuropediatra, que pode orientar os próximos passos e indicar outros profissionais, como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo ou fisioterapeuta.

Acolher sem estigmatizar: um papel essencial da família e da sociedade.

Infelizmente, muitas famílias enfrentam o medo do diagnóstico e o estigma social. Ainda existe a falsa ideia de que uma criança com desenvolvimento atípico “não é normal” ou “não vai conseguir acompanhar os outros”. Essas percepções, além de incorretas, podem gerar culpa, negação e atrasos no cuidado.

Acolher uma criança atípica significa enxergá-la para além do diagnóstico. É compreender suas potencialidades, respeitar suas limitações e oferecer o suporte necessário para que ela se desenvolva no seu próprio ritmo.

Algumas atitudes podem fazer uma enorme diferença:

1. Evite comparações

Cada criança tem um percurso único. Comparar com irmãos, colegas ou primos só gera frustração. O foco deve estar no progresso individual, não na régua dos outros.

2. Valorize pequenas conquistas

O que pode parecer um pequeno passo para alguns — como uma nova palavra, um gesto ou uma interação — pode ser um avanço enorme para uma criança com desenvolvimento atípico. Celebrar cada conquista reforça a autoestima e a motivação.

3. Crie uma rede de apoio

O cuidado com uma criança atípica pode ser desafiador. Contar com apoio emocional, grupos de pais, orientações profissionais e diálogo com a escola é essencial para dividir responsabilidades e reduzir a sobrecarga familiar.

4. Educação inclusiva e empatia na escola

Professores e colegas desempenham papel fundamental no acolhimento. A escola deve ser um ambiente de respeito, onde as diferenças sejam reconhecidas e valorizadas. Ajustes simples, como flexibilizar atividades, pode promover a verdadeira inclusão.

5. Combata o estigma com informação

Falar abertamente sobre o desenvolvimento atípico, explicar o que é o TEA, o TDAH ou outros transtornos, e desmistificar ideias erradas é uma das formas mais eficazes de combater o preconceito. Informação é o antídoto da exclusão.

O papel do neuropediatra nesse processo

O neuropediatra é o profissional especializado em compreender o funcionamento do sistema nervoso em crianças e adolescentes. Ele atua na avaliação global do desenvolvimento, buscando identificar alterações neurológicas, cognitivas e comportamentais que possam interferir na aprendizagem, linguagem, coordenação ou interação social.

Além do diagnóstico, o neuropediatra tem papel central no acompanhamento longitudinal, ajustando estratégias, monitorando respostas às terapias e orientando a família sobre expectativas realistas e metas de desenvolvimento.

Mais do que rotular, o objetivo é compreender para intervir precocemente, oferecendo à criança as melhores oportunidades de crescimento e qualidade de vida.

Em resumo 

O desenvolvimento atípico não define quem a criança é — apenas mostra que ela aprende, sente e se comunica de maneira diferente. Quando há acolhimento, compreensão e intervenção adequada, é possível promover avanços significativos e garantir que cada criança possa expressar todo o seu potencial.

Identificar precocemente e agir com empatia é o caminho para substituir o medo pela esperança, a dúvida pela orientação e o estigma pelo respeito.

O olhar sensível dos pais, somado ao acompanhamento de profissionais especializados, transforma não apenas o futuro da criança, mas também a forma como a sociedade enxerga a diversidade do desenvolvimento humano.

Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?

A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.

Agende uma consulta para você ou seu pequeno e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Dra. Cláudia Pechini

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Categorias
lesão
Neurologia

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