É muito comum que pais, familiares e educadores descrevam crianças como “agitadas”, “elétricas” ou “cheias de energia”. A infância é, naturalmente, um período de movimento, curiosidade e exploração. No entanto, quando a agitação é intensa, persistente e começa a interferir no aprendizado, no comportamento e nos relacionamentos, surge a dúvida: trata-se apenas de uma criança ativa ou pode ser Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)?
Diferenciar uma criança ativa de uma criança com TDAH nem sempre é simples, especialmente porque alguns comportamentos podem se parecer. Entender essas diferenças ajuda os pais a observar com mais clareza, evitar rótulos inadequados e buscar ajuda profissional quando necessário.
O que significa ser uma criança ativa?
Ser uma criança ativa é algo absolutamente esperado e saudável. Crianças ativas gostam de correr, brincar, explorar o ambiente, fazer perguntas e se envolver em diferentes atividades. Elas costumam ter energia de sobra, curiosidade intensa e grande interesse pelo mundo ao redor.
A criança ativa consegue, no entanto, adaptar seu comportamento às situações. Mesmo sendo agitada, ela consegue se concentrar quando está interessada, respeitar regras adequadas à idade, seguir orientações e se acalmar com o apoio de adultos. A agitação costuma variar de acordo com o contexto e tende a diminuir em ambientes estruturados.
O que é o TDAH?
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, que são inadequados para a idade da criança e causam prejuízos funcionais.
O TDAH não é resultado de falta de limites, má educação ou excesso de estímulos, embora esses fatores possam agravar os sintomas. Trata-se de uma condição neurológica que envolve diferenças no funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos e pela organização do comportamento.
Diferenças na atenção
Uma das principais diferenças entre uma criança ativa e uma com TDAH está na atenção. A primeira consegue manter o foco em atividades que despertam seu interesse e, com o tempo, aprende a se concentrar em tarefas menos estimulantes, especialmente com apoio e orientação.
Já a criança com TDAH apresenta dificuldade significativa e persistente para manter a atenção, mesmo em atividades de que gosta. Ela se distrai facilmente com estímulos externos, esquece instruções, perde objetos com frequência e tem dificuldade para concluir tarefas, mesmo quando se esforça.
Diferenças no nível de atividade
A criança ativa se movimenta bastante, mas consegue se adaptar ao ambiente. Ela corre no parque, brinca intensamente, mas entende quando precisa ficar sentada por um período curto, como durante uma refeição ou uma atividade escolar.
A criança com TDAH, por outro lado, apresenta um nível de atividade muito elevado e difícil de controlar. Ela se levanta com frequência, mexe mãos e pés constantemente, fala demais, interrompe os outros e parece estar sempre “ligada no 220”. Essa agitação ocorre em diferentes ambientes, como casa, escola e outros espaços sociais.
Impulsividade: um ponto importante de diferença.
A impulsividade é outro aspecto que ajuda a diferenciar. Crianças ativas podem agir por impulso ocasionalmente, o que é esperado para a idade. No entanto, elas aprendem com as consequências e conseguem melhorar esse comportamento ao longo do tempo.
No TDAH, a impulsividade é mais intensa e persistente. A criança tem dificuldade em esperar a vez, interrompe conversas, responde antes da pergunta terminar e age sem pensar nas consequências, o que pode gerar conflitos frequentes com adultos e outras crianças.
Impacto no aprendizado e na rotina
Uma criança ativa pode até se distrair ocasionalmente, mas, em geral, consegue acompanhar o aprendizado escolar. Já a criança com TDAH costuma apresentar dificuldades mais significativas na escola, como baixo rendimento, erros por desatenção, dificuldade em seguir instruções e problemas para organizar tarefas e materiais.
Essas dificuldades não estão relacionadas à falta de capacidade intelectual, mas à dificuldade de manter a atenção e o controle do comportamento de forma consistente.
O papel do ambiente e da rotina
O ambiente influencia o comportamento de todas as crianças. Falta de rotina, excesso de estímulos, pouco sono e alimentação inadequada podem deixar qualquer criança mais agitada. Em crianças ativas, a organização do ambiente costuma trazer melhora significativa.
No TDAH, embora uma rotina estruturada ajude bastante, os sintomas persistem mesmo em ambientes organizados, com regras claras e apoio dos adultos.
Quando a agitação deixa de ser normal?
Alguns sinais indicam que a agitação pode estar além do esperado para a idade:
- Dificuldade persistente de atenção;
- Agitação intensa em diferentes ambientes;
- Impulsividade que gera prejuízos;
- Problemas frequentes na escola;
- Dificuldade nos relacionamentos;
- Baixa autoestima devido a críticas constantes.
Quando esses sinais estão presentes, é importante buscar avaliação especializada.
O papel do neuropediatra no diagnóstico
O diagnóstico do TDAH é clínico e deve ser feito por um profissional capacitado, como o neuropediatra. A avaliação envolve uma análise cuidadosa da história da criança, do comportamento em diferentes ambientes e, muitas vezes, a participação da escola e de outros profissionais.
É fundamental evitar diagnósticos precipitados ou rótulos. Nem toda criança agitada tem TDAH, e apenas uma avaliação especializada pode esclarecer a situação.
Ser uma criança ativa é saudável e faz parte do desenvolvimento infantil. O TDAH, por sua vez, é uma condição neurológica que vai além da agitação comum e traz impactos importantes na atenção, no comportamento e no aprendizado.
Observar o comportamento da criança com atenção, sem comparações excessivas, e buscar ajuda profissional quando há prejuízos no dia a dia é a melhor forma de garantir suporte adequado. Com orientação, compreensão e acompanhamento, crianças com TDAH podem desenvolver todo o seu potencial e ter uma infância mais equilibrada e saudável.
Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?
A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes, a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.
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Dra. Cláudia Pechini
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