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Quando a dificuldade na escola pode ser um problema neurológico?

transtorno neurologico

É natural que toda criança enfrente desafios durante a vida escolar. Algumas aprendem a ler mais cedo, outras precisam de mais tempo para compreender determinados conteúdos, e há aquelas que apresentam maior facilidade em uma disciplina do que em outra. Essas diferenças fazem parte do desenvolvimento e refletem a diversidade de ritmos de aprendizagem. 

No entanto, quando as dificuldades se tornam persistentes, desproporcionais para a idade ou começam a interferir significativamente no desempenho acadêmico e na autoestima da criança, é importante investigar se existe algum fator além das dificuldades habituais da escola. Nem toda dificuldade escolar está relacionada a um problema neurológico, mas algumas condições do neurodesenvolvimento podem afetar diretamente a forma como ela aprende, organiza informações, mantém a atenção ou desenvolve habilidades acadêmicas. 

Identificar essas situações precocemente é essencial para oferecer o suporte adequado e evitar que o rendimento escolar seja interpretado, de forma equivocada, como falta de interesse, preguiça ou desmotivação.

Nem toda dificuldade de aprendizagem significa um transtorno

Ao longo da vida escolar, é esperado que as crianças encontrem conteúdos mais desafiadores ou passem por períodos de adaptação. Mudanças de escola, alterações familiares, dificuldades emocionais e até diferenças no método de ensino podem influenciar temporariamente o desempenho acadêmico.

Além disso, cada criança possui um ritmo próprio de aprendizagem. Algumas precisam de mais tempo para consolidar determinados conhecimentos sem que isso represente qualquer alteração no desenvolvimento.

O que merece atenção é quando as dificuldades persistem apesar de oportunidades adequadas de aprendizagem, tornam-se recorrentes e começam a gerar prejuízos importantes na rotina escolar e no bem-estar da criança.

Quando o cérebro influencia a aprendizagem

Aprender é um processo complexo que depende do funcionamento integrado de diferentes áreas do cérebro. Atenção, memória, linguagem, raciocínio, planejamento, coordenação motora e funções executivas trabalham em conjunto para que a criança consiga acompanhar as atividades escolares.

Quando alguma dessas funções apresenta alterações, o aprendizado pode ser impactado. Isso não significa que a criança tenha menos inteligência ou menor capacidade de aprender. Na maioria das vezes, significa apenas que ela processa determinadas informações de forma diferente e pode precisar de estratégias específicas para desenvolver seu potencial.

É justamente por isso que algumas crianças apresentam excelente desempenho em determinadas áreas e, ao mesmo tempo, enfrentam grandes dificuldades em outras.

Quais condições neurológicas podem interferir no desempenho escolar?

Diversas condições do neurodesenvolvimento podem influenciar a aprendizagem. Entre as mais conhecidas estão o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), os transtornos específicos de aprendizagem, como dislexia, discalculia e disgrafia, além do Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente em apresentações mais sutis.

Alterações da linguagem, dificuldades de coordenação motora, deficiência intelectual e algumas condições neurológicas menos frequentes também podem impactar o desempenho escolar.

Cada uma dessas condições apresenta características próprias, mas todas têm em comum o fato de poderem interferir na forma como a criança aprende, organiza informações e participa das atividades acadêmicas.

Sinais que podem indicar necessidade de investigação

Alguns sinais merecem atenção quando aparecem de forma persistente. A criança pode apresentar dificuldade importante para aprender a ler e escrever, trocar letras com frequência muito acima do esperado para a idade ou demonstrar grande dificuldade para compreender textos.

Em outros casos, a principal dificuldade está na matemática, na organização das tarefas, na manutenção da atenção ou na capacidade de concluir atividades dentro do tempo esperado.

Também é comum observar esquecimentos frequentes, perda constante de materiais escolares, dificuldade para seguir instruções com várias etapas ou necessidade de supervisão muito maior do que a esperada para a idade.

Outro aspecto importante é quando existe uma grande diferença entre o potencial intelectual da criança e seu desempenho escolar. Muitas vezes, pais e professores percebem que ela demonstra curiosidade, criatividade e boa capacidade de raciocínio, mas não consegue traduzir esse potencial em resultados acadêmicos.

O impacto emocional das dificuldades escolares

Quando as dificuldades persistem sem uma explicação clara, é comum que a criança comece a desenvolver sentimentos de frustração e insegurança. Repetidas experiências de fracasso podem afetar sua autoestima e sua relação com o aprendizado.

Algumas passam a evitar atividades escolares, recusam-se a fazer tarefas ou dizem que “não conseguem aprender”. Outras tornam-se mais ansiosas, irritadas ou desmotivadas diante das exigências da escola.

Infelizmente, quando essas dificuldades são interpretadas apenas como falta de esforço, a criança pode receber críticas frequentes, comparações com colegas ou cobranças excessivas, aumentando ainda mais o sofrimento emocional.

Reconhecer que pode existir uma condição do neurodesenvolvimento por trás dessas dificuldades é um passo importante para substituir julgamentos por compreensão e estratégias de apoio.

Atenção: nem sempre o problema está na aprendizagem!

Em alguns casos, a dificuldade escolar não ocorre porque a criança tem dificuldade para aprender determinado conteúdo, mas porque outros fatores estão interferindo nesse processo.

Alterações do sono, ansiedade, depressão, problemas de visão ou audição, epilepsias específicas, doenças crônicas e até dificuldades emocionais relacionadas ao ambiente escolar podem prejudicar o rendimento acadêmico.

Por isso, a investigação deve sempre considerar a criança de forma global, analisando não apenas seu desempenho escolar, mas também seu desenvolvimento, comportamento, saúde física e contexto familiar.

Como é feita a avaliação?

A investigação começa com uma conversa detalhada sobre o desenvolvimento da criança e sua trajetória escolar. Informações fornecidas pelos pais e pela escola ajudam a compreender em quais situações as dificuldades aparecem e como elas impactam a rotina.

O exame clínico e neurológico permite avaliar aspectos importantes do desenvolvimento, enquanto avaliações complementares podem ser indicadas conforme a necessidade. Em muitos casos, uma abordagem multiprofissional envolvendo neuropediatra, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional oferece uma visão mais completa do funcionamento da criança.

O objetivo não é apenas encontrar um diagnóstico, mas identificar quais habilidades estão preservadas, quais áreas precisam de maior suporte e quais estratégias podem favorecer a aprendizagem.

O tratamento vai muito além da sala de aula

Quando uma condição neurológica ou do neurodesenvolvimento é identificada, o acompanhamento deve ser individualizado. Dependendo da causa, podem ser indicadas intervenções específicas, adaptações escolares e terapias voltadas para o fortalecimento das habilidades que apresentam maior dificuldade.

A participação da escola é fundamental nesse processo. Pequenas adaptações na forma de ensinar, avaliar ou organizar atividades podem fazer grande diferença no desempenho e na confiança da criança.

Da mesma forma, o envolvimento da família contribui para criar um ambiente de apoio, incentivo e acolhimento, reduzindo a pressão excessiva e valorizando cada conquista ao longo do processo de aprendizagem.

Aprender é um caminho único para cada criança

Dificuldades escolares fazem parte da infância, mas quando elas se tornam persistentes, intensas e interferem na vida da criança, merecem um olhar mais atento. Identificar precocemente possíveis alterações neurológicas ou do neurodesenvolvimento não significa rotular, mas compreender as necessidades individuais e criar oportunidades para que cada criança desenvolva seu potencial.

Com avaliação adequada, intervenções direcionadas e uma rede de apoio formada por família, escola e profissionais de saúde, é possível transformar desafios em oportunidades de crescimento. Afinal, aprender não é apenas atingir resultados ou acompanhar o ritmo dos colegas, mas construir conhecimento respeitando a forma única como cada cérebro se desenvolve e interage com o mundo.

Com quem você pode contar para saber mais sobre este assunto?

A Dra. Cláudia Pechini é Neurologista Infantil e possui Título de Especialista em Neurologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). São anos de experiência nos cuidados com crianças e adolescentes, a fim de garantir o pleno desenvolvimento de todas as suas habilidades.

Agende uma consulta para você ou seu pequeno e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Dra. Cláudia Pechini

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